Este romance, Casa de pensão é um dos melhores trabalhos saídos da pena de Aluísio Azevedo, um escritor, que, livro após livro, soube afirmar, firmar e confirmar a sua grande aptidão para um gênero de literatura, entre nós, brasileiros, mais descurado e dirigido: a crítica.
Para escrever Casa de Pensão, seu segundo livro naturalista, Aluísio Azevedo estudou suas personagens com profundo e longo cuidado.
Depois de prontas, atirou-as ao papel, e elas fizeram o romance.
Assim, quando o livro foi lançado, em meados de 1884, o jornal carioca, Gazeta de Notícias, publicava uma resenha (bastante favorável) em que tomava para si a responsabilidade de defender o romance: "não procedem algumas censuras que se tem feito à Casa de pensão.
Não é, por exemplo, uma obra de pornografia".
Ao romance — concluia a resenha —, "seria destinado, na literatura brasileira, o mesmo papel que na portuguesa coube ao Primo Basílio" (de Eça de Queiroz).
Casa de pensão é considerado o marco de uma nova era: assinala a delimitação de duas fases distintas no romance nacional.
O autor, Aluísio Azevedo, é um poderoso observador, de vista ampla e profunda, espirito resoluto, flexível, generoso, leve e iluminado, capaz da lágrima e do riso, da gargalhada e do soluço, da piedade e do sarcasmo.
Todas essas qualidade são encontradas na Casa de pensão, um romance em que personagens são desenhadas e coloridas com raro vigor e extrema felicidade.