«A transformação social.
A contestação.
Personagens em diálogos.
As cruentas desigualdades sociais.
Surgem as perguntas proibidas.
Vai-se adquirindo consciência e espaço, para que tudo se levante do chão.
Um livro composto por 34 capítulos.
No 17
o está a tortura e a morte de Germano Santos Vidigal.
Germano, o nome que significa irmão, o homem da lança.
Apesar de vencido, o sacrifício da sua vida indica o caminho.
«Já o encontraram.
Levam-no dois guardas, para onde quer que nos voltemos não se vê outra coisa, levam-no da praça, à saída da porta do sector seis juntam-se mais dois, e agora parece mesmo de propósito, é tudo a subir, como se estivéssemos a ver uma fita sobre a vida de Cristo, lá em cima é o calvário, estes são os centuriões de bota rija e guerreiro suor, levam as lanças engatilhadas, está um calor de sufocar, alto».
As mulheres são também chamadas à primeira linha das decisões neste belo romance de Saramago.
O diálogo monossilábico entre marido e mulher da família Mau-Tempo vai-se alterando.
Interessante observar uma narrativa que vai da submissão ao sentido de libertação, através de gerações.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)