Um escândalo sem precedentes e a certeza de um prejuízo bilionário – superando, inclusive, o lucro anual de todo o grupo no ano passado – é o assunto do momento envolvendo a Volkswagen, acusada de adulterar o software de 11 milhões de veículos a diesel com a intenção de mascarar suas emissões de poluentes.
Sem dúvida motivo de vergonha para a marca e de indignação para a opinião pública, com possibilidade de danos à imagem da empresa que levarão anos para serem reparados.
Para os proprietários de antigos modelos da marca, entretanto, nenhuma surpresa: há décadas que a Volkswagen tem olhos apenas para o presente, sem dar a mínima atenção ao passado – e, consequentemente, ao futuro.
Justamente o passado responsável por construir a credibilidade que a marca agora pode estar jogando para o ralo, com automóveis que se tornaram sinônimo de confiabilidade, robustez e economia, influenciando ainda hoje a decisão de compra de milhares de clientes ao redor do mundo.
Ao ignorar esse patrimônio emocional, a Volkswagen não apenas tem desprezado proprietários de besouros, derivados arrefecidos a ar e modelos clássicos como Passat e os primeiros frutos da família BX (Gol, Saveiro e Voyage), mal tratados e muitas vezes até humilhados ao tentarem qualquer espécie de serviço ou auxílio numa concessionária da marca.
Ao fazer isso, a empresa renega seu legado, desdenha seus valores e se esquece de lições preciosas, como o difícil início, quando foi necessário superar a rejeição mundial a um produto alemão no pós-guerra, tornando o Fusca um dos automóveis mais bem sucedidos em praticamente todos os países.
Mais do que nunca, é hora de a Volkswagen voltar-se ao passado, resgatar suas raízes e tratar com respeito quem sempre a admirou e a defendeu.
Caso contrário, pode ser que nem haja futuro.
Uma “morte” que teria um único culpado, como destacou a importante revista semanal alemã Der Spiegel, cuja manchete em uma de suas últimas capas dizia “Der Selbstmord”.
Ou, em bom português: Suicídio.